ESTÉTICA

A FINASTERIDA E A CALVÍCIE

MESMO COM RESTRIÇÕES E EFEITOS COLATERAIS, O MEDICAMENTO, EM JOVENS, PODE SER MUITO ÚTIL

A calvície, ou alopecia androgenética, acomete cerca de 95% da população masculina. A fe- minina também pode sofrer: até 40% das mulheres poderão, em alguma fase da vida, perder fios de cabelo. O envelhecimento facial e a consequente redução da autoestima e qualidade de vida são as principais queixas dos pacientes que procuram ajuda. Além do implante capilar, devemos oferecer aos pa- cientes o tratamento clínico, uma vez que, somente assim, é possível retardar os efeitos da calvície postergando a necessidade de uma nova intervenção cirúrgica. E isso é particularmente importante para os jovens que já apresentam um quadro avançado de calvície, pois terão maior tendência a chegar ao nível máximo — grau VII de Norwood —, em que apresentam somente fios nas laterais da cabeça.

A finasterida é uma droga utilizada e estudada há anos. O preconceito e a possibilidade de efeitos co- laterais são os principais motivos da rejeição por grande parte da população masculina. Um estudo publicado em 2019 demonstrou que o grupo de pa- cientes que utilizavam a droga não apresentou índices mais elevados de distúrbios sexuais quando comparado ao grupo sem a utilização do medica- mento. Ou seja, redução da libido e problemas de “O PRECONCEITO E A POSSIBILIDADE DE EFEITOS COLATERAIS SÃO OS PRINCIPAIS MOTIVOS DA REJEIÇÃO POR GRANDE PARTE DA POPULAÇÃO MASCULINA” ereção podem ocorrer tanto em pacientes sob o uso da finasterida quanto naqueles que não a utilizam. Outros efeitos colaterais possíveis são ginecomastia, dor testicular e alterações de humor. Todos raros, ocorrendo em cerca de até 3% dos pacientes em uso.

Em muitos casos, a finasterida pode, sim, ser importante no controle na calvície. Ela possui restrições, possíveis efeitos colaterais desagradáveis, mas, sobretudo em pacientes jovens, pode ser extremamente útil, associada ou não ao implante capilar. Procure um médico especialista que tenha experiência no tratamento da calvície. Vale a pena lembrar que a finasterida também pode ser em- pregada na população feminina, obviamente respeitando indicações médicas específicas.

“O PRECONCEITO E A POSSIBILIDADE DE EFEITOS COLATERAIS SÃO OS PRINCIPAIS MOTIVOS DA REJEIÇÃO POR GRANDE PARTE DA POPULAÇÃO MASCULINA”

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Otávio Boaventura

Otávio BoaventuraÉ médico pela UFMG, cirurgião geral pelo HC-UFMG, cirurgião plástico pela Fhemig totalmente dedicado a restauração capilar. Fellow em Atlanta-EUA. CRM: 39026 RQE cirurgia geral: 23919 RQE cirurgia plástica: 23920

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