Matérias de Capa

AQUI E AGORA!

Não que Adriane Galisteu precisasse provar mais alguma coisa a esta altura de sua carreira, mas, enfim, ela chegou à Globo. E como atriz, defendendo o papel da estilista Zelda Lacocque na  novela das 7, O Tempo Não Para. Se esse será o caminho daqui em diante, nem ela sabe. Aos 45 anos, prefere se dedicar ao máximo ao agora. “É importante a gente saber onde está e focar aquilo que está fazendo”, diz. “Isso acaba, de alguma forma, dando qualidade ao trabalho.

É um exercício que todos devemos fazer: dar atenção ao que está acontecendo naquele momento na vida”. Além da TV, a musa comanda o semanal Papo de Almoço, na Rádio Globo, e segue com seu canal no YouTube, com quase 300 000 inscritos. Mas sua prioridade ainda é Vittorio, de 8 anos, seu filho com o empresário Alexandre Iódice. Nas próximas páginas, ela explica como faz para manter os sagrados 56 quilos — embora esteja com 58 — enquanto administra a carreira artística e exerce o papel de mãe.

Corrida continua sendo seu esporte favorito?

Eu corro quase todos os dias, de 8 a 10 quilômetros. Onde estiver e quando posso. Corrida é um esporte muito democrático, você não precisa de muita coisa, bastam um bom tênis e um short. Acaba sendo o exercício mais prático para mim. De qualquer forma, a pessoa tem que escolher um esporte para manter. Às vezes, a gente vai na empolgação, opta por algo muito legal, mas depois desiste. Queria um esporte que eu realmente pudesse dar continuidade. Comecei a correr em 1996 e nunca mais parei. Já lesionei o quadril e fiquei parada
uma época. Mas faço fisioterapia e me cuido para poder correr a vida inteira.

Qual sua rotina de treino, em geral?

Vou à academia duas vezes por semana, como manutenção, para poder correr bem. Faço musculação e estimulação de choque elétrico. Acho importante que a gente mantenha o cuidado com o corpo, até para evitar lesões. A corrida, depois de muito tempo, é difícil mesmo. Eu me cuido para ter uma musculatura que consiga segurar. Tenho, também, fisioterapia a cada quinze dias. Corro de manhã, de tarde ou de noite, quando dá, de acordo com a agenda. E não consigo ter rotina. Agora, lá no Rio de Janeiro, gravando a novela, menos ainda. Então, vou quando consigo. Procuro correr na parte da manhã. Antes, eu gostava de correr à noite, mas, por causa do meu filho, acabo tendo mais tempo enquanto ele está na escola.

O Vittorio é fã de esportes também?

Eu o coloquei desde os 2 anos de idade na  natação, para aprender logo a nadar. Ele gosta, nada duas vezes por semana. Também joga tênis de quarta e sexta. No sábado, tem futebol. Não há como ter filho menino e não colocar no futebol. Correr já é da natureza dele, é moleque e sai correndo. Ele é louco para me acompanhar na corrida, mas ainda não consegue. Criança gosta de velocidade. Ele não entende a corrida com ritmo.

Você se considera uma mãe exigente?

Não. Falo para todo mundo que, se eu for um terço da mãe que minha mãe foi para mim, serei uma supermãe. Tenho uma mãe muito maravilhosa. Mas ela dava todo o seu tempo para mim e para o meu irmão. Foi dona de casa vida inteira e dedicou-se totalmente a gente. Não é bem assim a minha vida. Não tenho rotina. Vou para o Rio no domingo e volto só na quinta. Procuro fazer o meu melhor, mas não consigo me dar uma nota. Eu organizo toda a minha agenda priorizando o Vittorio. Quando vou viajar, não faço mais aquela viagem que interessa apenas a mim. Escolho uma que também interessa a ele. É muito delicioso poder experimentar o que eu estou vivendo como mãe. Com o Vittorio, nunca tive que me esconder para sair. Há mães que vivem isso. Ele é um filho muito independente desde pequeno, nunca chorou e me ligou pedindo para voltar. Muito disso é graças à estrutura que consegui manter. Conto com a minha mãe, com a comida dela, com a casa dela. Ele tem a babá, que o acompanha o tempo inteiro. Tem o pai, que está em São Paulo. É difícil, mas temos tido bastante tempo juntos. E cuidamos para que seja um tempo de qualidade.

Ele sempre lidou bem com o fato de ter uma mãe celebridade?

Sempre. Às vezes diz: “Mãe, você não vai para o Rio hoje?”. Ele entende isso, é bem independente e gosta muito de ficar sozinho, de não ter gente no pé dele cobrando as atividades. Porque eu sou uma mãe que cobra. Quero que ele leia para  ver como está a leitura, gosto de fazer a lição junto e também de brincar. A gente sai muito no fim de semana para brincar.Você começou a trabalhar com 9 anos, quase a idade do Vittorio.

Às vezes, projeta essa vida nele?

Eu não projeto nada, nem quero. Porque isso é uma coisa tão perigosa. Eu falo que o sofrimento acaba sendo nosso, não da criança. Quando comecei, tenho certeza de que minha mãe não projetou nada. Tudo o que ela queria na vida era ser aeromoça. Se tivesse projetado alguma coisa em mim, ia me mandar para os ares, né? Eu não faço isso. O que ele escolher para a vida dele, estarei ao lado, apoiando. A única coisa que exijo é o estudo. Acho que nada pode suprir uma boa educação, um bom conteúdo. É o ponto a que mais precisamos ficar atentos. Hoje, a tendência é ser mais leve. Tem gente que estuda a distância e nem todas as profissões exigem diploma.Eu não fiz faculdade, não fiz curso de inglês e tudo isso pega para mim. Eu sei falar o meu inglês, mas é daquele jeito. Se eu tivesse aprendido cedo, se tivesse tido oportunidade, não seria tão complicado. Isso eu projeto no Vittorio, coisas que eu não tive em termos de estudo. Quero dar a ele o melhor colégio e as melhores possibilidades.

Sua alimentação é baseada em alguma dieta?

Eu não sou muito rígida, não. Depende de onde eu estou e  como eu estou. Tenho ficado no Rio e o meu café da manhã de lá é muito diferente do de São Paulo. Acordo, corro, como um iogurte de proteína e vou trabalhar. Faço a minha primeira refeição na hora do almoço. Assim é a minha rotina no Rio. Em São Paulo, eu como uma pequena porção de fruta. Fruta para mim é igual remédio. Não tomo com prazer, sabe? Depois, eu como um pouco de peito de peru com geleia e pronto. Às vezes, ovo mexido, mas é raro. Omelete, tapioca, bem pouco. No almoço, como o que tiver no lugar em que eu estiver. Se eu estiver num quilão, vou de quilão. Se estiver num restaurante italiano, vou de massa. Eu não tenho restrição. Em geral, já estou azul de fome e me alimento normalmente. Na Globo, vou aos restaurantes de lá. Cada dia escolho um, para não enjoar. Tem um natural, outro de lanches, que é uma coisa mais prática e mais rápida, dependendo do tempo.

No jantar, eu gosto de japa ou sopa. Evito carboidrato à noite. De vez em quando, dá uma fome à tarde e eu como o que está à mão, o que é um erro. Seria legal se eu tivesse uma barrinha de cereal, mas não é sempre que carrego. Quando estou de dieta mesmo, o que não é o caso, não saio da linha. Em final de ano não costumo fazer dieta. Sou super chocólatra também. Faço promessa para não acabar comendo demais. É uma paixão na minha vida. Também adoro pimenta. Como tudo bem apimentado. Se a comida não foi preparada com pimenta, eu acrescento. Pimenta, alho, cebola bem temperada. Mesmo se a comida é fit, mando bala na pimenta.

E o que você não come de modo algum?

Miúdos. Aliás, carne vermelha eu não como há vinte anos. Não sou vegetariana. Gosto de uma linguiça de vez em quando, principalmente aquela alemã branca. Também não sou paranoica. Outro dia, o Alexandre estava comendo um taco com carne moída e eu experimentei um pouquinho. Não tenho pânico da carne. Só tirei do meu dia a dia.

Tem algum ritual de beleza para o cabelo e a pele, por exemplo?

Nada. Eu deixo para eles cuidarem (aponta para os cabeleireiros). O que eu faço é nunca dormir maquiada. Tenho o hábito de limpar muito bem a minha pele e uso protetores e cremes. E faço bastante hidratação, tanto no cabelo como na pele.

Mudou muito a maneira como você vê o seu corpo, agora aos 45 anos, em relação ao início de sua carreira?

A gente vai ficando mais velha, mais madura e tem outras prioridades. Claro que eu me cuido, aprendi a gostar, porque passei a minha vida tendo que me cuidar por causa do meu trabalho. Ainda bem, porque eu tenho um pouco de preguiça. Se eu fizesse todas as minhas vontades, estava perdida. Sou uma comilona. Um dos prazeres que eu e meu marido temos é sair para jantar ou almoçar. Nós gostamos de conhecer lugares novos. Eu administro bem o meu prato. Hoje, sou uma mulher que olha para o corpo e entende o que está mais flácido, que as rugas chegaram e que isso faz parte, por mais que eu seja saudável.

Já pensou em fazer alguma intervenção estética?

Nunca fui muito adepta do que não fosse natural. Não coloquei silicone, nunca tive uma plástica. Dá para ver que não tenho Botox, não sou muito dessa turma. Mas nunca descartei também. Acho que na hora em que eu realmente me olhar no espelho e achar que estou precisando, vou fazer. Tenho cuidado com isso e um pouco de medo de ficar muito artificial. Não acho bonito boca em excesso ou pele muito lisa. As coisas têm que estar de acordo com a sua idade.

Como foi ficar morena para a novela?

Se fosse por mim eu ficaria loira para sempre. Não sou muito de mudanças, reluto um pouquinho. Mas a decisão foi deles, e eu topei porque acho que os desafios são sempre muito bem-vindos. Se há um objetivo, não tem problema. Quando você está trabalhando, percebe que é fundamental a mudança, porque ajuda na construção do personagem. Quando o convite veio com essa surpresinha, eu topei e acho que foi a melhor coisa que fiz. A ideia da morenice era distanciar a Zelda da Adriane Galisteu, para que as pessoas pudessem ter essa relação com a personagem. Zelda não combinaria loira. Até porque loiro dá trabalho demais, você tem que estar toda hora no salão. Apesar de ser talentosa, ela é uma mulher que não tem dinheiro nem tempo para se cuidar. Ela é zero vaidosa. Estilosa, mas zero vaidosa. E trambiqueira.

E a preparação para viver a Zelda?

Vivi ótimas experiências no teatro. Fui dirigida por pessoas muito competentes, como Jô Soares, Bibi Ferreira, Paulo Autran, Elias Andreato e Juca de Oliveira. Cada experiência com o Jô como diretor eu carrego para toda a vida. São pessoas que me deram a base de atuação e não tem curso no mundo que me faria ter isso. Então, eu levo todo o meu aprendizado com esses gênios que tive a sorte de conhecer. Fiz doze peças. A última, no ano passado, foi A Bela Adormecida , meu primeiro infantil, que eu ainda não tinha experimentado e amei.

Você trouxe algo da sua experiência com o mundo da moda para a personagem?

Você sabe que não? Eu trouxe mais do teatro, mesmo. A Zelda é do universo da moda, mas a gente conta a história dela em uma fase decadente. Ela viveu o sucesso nos anos 1980 e fica se agarrando a essa época. Não percebeu que o tempo passou e as coisas mudaram. É até engraçado. Toda hora ela fala que foi ela quem trouxe a calça semi baggy para o  Brasil e as pessoas não estão nem aí. Ela não tem nada a ver comigo, não pensa como eu, não age como eu. Isso é uma coisa atraente porque, quando você faz o seu oposto, uma pessoa muito distante de você, é desafiador. Fui convidada para fazer a novela, mas, na verdade, precisei fazer um teste. Eu podia não ter passado. Cheguei lá e tinha um monte de gente. Achei muito legal. Na minha cabeça é mais justo.

Como você definiria o seu estilo?

Eu não tenho estilo. Fora do meu trabalho, estou sempre confortável. Você vai me ver de tênis, uma roupa larga e confortável, sem maquiagem. Quando vou a um lugar público, vestida para um evento, aquele é o trabalho do Thydi (Alves, personal stylist). Nossa parceria já tem uns vinte anos. Ele é meu produtor também. Em todos os programas que eu tive na TV, ele era o estilista. No meu dia a dia, se você abrir meu armário, verá  tênis e roupa confortável. Claro, tenho uma coisa ou outra, mas escolho sempre o conforto. Nem tenho comprado muita roupa ultimamente. A gente chega a um ponto em que já tem um pouco de tudo o que quer. Quanto menos compra, menos escrava a pessoa é. Já fui mais consumista. Agora, não. Isso também vem com a maturidade e a maternidade. Muda completamente e você só vai entender vivenciando. Não adianta falar para as pessoas. Às vezes comento com a Sabrina (Sato). Ela não tem ideia de quanto vai mudar. Você pensa em seguir nas novelas? Já que cheguei lá, a vontade de continuar na carreira existe. Não depende só de mim, claro. Mas trabalhar na Globo faz parte do sonho de qualquer artista do Brasil. A gente olha para a líder de audiência a vida inteira. Admiro muito as emissoras das quais fiz parte e tenho o maior orgulho da minha história, mas desde que comecei na MTV, minha grande escola na TV aberta, nunca tirei o olho da líder. Às vezes, você não tem essa ambição de forma clara. Mesmo assim, isso fica no subconsciente. Não posso afirmar que vou continuar, mas acho que estou preparada. Amadureci muito profissionalmente. E até a maternidade é muito responsável por isso. Você fica mais centrada, mais calma. A idade também. Eu vivi muitas experiências boas e outras não tão boas e aprendi com todas elas. Acho que foi a hora certa para que isso acontecesse.

Programa de auditório ainda a atrai?

Atrai. Ainda gosto e sei fazer. Não dá para querer tudo. Se estou fazendo uma novela, não posso misturar. A gente fica única e exclusivamente na mão das gravações. Então, eu organizo a minha vida depois de me acertar com eles. Tem o programa de rádio, a novela e meu canal no YouTube. No tempo que me resta eu faço as revistas, entrevistas, eventos e campanhas.

O que você faz para a rotina não ficar estressante?

Quando você escolhe aquilo que realmente ama, o excesso nunca atrapalha. Pode até me deixar cansada fisicamente, mas é uma coisa que eu amo. É parte do meu dia a dia e eu faço tudo isso feliz. Claro, tenho uma equipe muito linda, que me ajuda há muitos anos. Eu sou superesquecida. Fico tão focada que, se ninguém me avisar dos compromissos, já era.

E como aproveita o pouco tempo livre?

Vou viajar. É a coisa de que mais gosto na vida, viajar para qualquer lugar, no Brasil ou fora. Sou louca por viagem. Trabalho para viajar e corro para comer. Também adoro jogar baralho, tranca. Às vezes, eu e a equipe jogamos.

Já tem algum plano para 2019? 

Zero. Se tem uma coisa que não faz parte da minha vida é planejar. Nada do que eu planejo dá certo, mudo de ideia no meio do caminho. Sou uma mulher que vive o presente. O máximo de futuro que eu sei é que  eu vou para a Bahia no Natal. Vai a família inteira, então a gente se organizou com antecedência. Promessa de ano-novo até posso fazer, de não comer chocolate, de trabalho ou de saúde. Mas planejar, não. Meu presente é vivido 100%. Não fico olhando muito para trás nem muito para a frente. Sou a ariana clássica. Tenho essa coisa da honestidade, da impulsividade, da vontade e do entusiasmo de áries.

 

Compartilhe:

Revista Saúde e Estilo

Revista Saúde e EstiloA SAÚDE&ESTILO entra em cena para levar conhecimento e informação ao seu leitor, agregando cuidados com a mente e com o corpo e estimulando a busca por uma vida de hábitos saudáveis. Mantendo, é claro, sua visão responsável sobre longevidade.

Outras postagens de: Revista Saúde e Estilo