MEDICINA

AUTISMO INFANTIL

O que é, quais são os sintomas e como é feito o tratamento do transtorno do neurodesenvolvimento

Em 2 de abril, celebrou-se o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data, criada em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU), chama atenção para a importância de conhecer e tratar o transtorno que atinge mais de 70 milhões de pessoas no mundo, sendo 2 milhões de brasileiros, segundo dados da própria organização. Estima-se que uma em cada 88 crianças apresenta traços de autismo, com prevalência cinco vezes maior em meninos — por isso a escolha de Abril Azul. O objetivo é impulsionar o compromisso político e a cooperação internacional a favor de investimentos maiores nos setores sociais, educacionais e laborais das pessoas com o transtorno. É uma data importante, uma vez que é um marco na luta contra o preconceito.

Mas você sabe o que é o Transtorno do Espectro Autista (TEA)? É um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por padrões de comportamentos restritivos e repetitivos, associados a uma dificuldade na comunicação social e interação social, em múltiplos contextos. As pessoas dentro do espectro também podem apresentar deficiência intelectual, dificuldades de coordenação motora e de atenção. Embora todas as crianças com TEA partilhem essas dificuldades, cada uma delas será afetada em intensidades diferentes, resultando em situações bem particulares. Apesar de ser comumente chamado de autismo infantil, pelo fato de o diagnóstico ser feito em crianças e até em bebês, os transtornos são condições permanentes que acompanham a pessoa por todas as etapas da vida.

O TEA afeta o comportamento do indivíduo e os primeiros sinais podem ser notados em bebês de poucos meses. No geral, uma criança do espectro autista apresenta os seguintes sintomas:

Dificuldade para interagir socialmente, como manter o contato visual, expressão facial, gestos, expressar as próprias emoções e fazer amigos;

Dificuldade na comunicação, optando pelo uso repetitivo da linguagem e bloqueios para começar e manter um diálogo;

Alterações comportamentais, como manias, apego excessivo a rotinas, interesse intenso em coisas específicas e dificuldade de imaginação.

As causas do TEA não são totalmente conhecidas, e a pesquisa científica sempre concentrou esforços no estudo da predisposição genética, analisando mutações espontâneas que podem ocorrer no desenvolvimento do feto e a herança genética passada de pais para filhos. No entanto, há evidências de que as causas hereditárias explicariam apenas metade do risco de desenvolver o transtorno. Fatores ambientais que impactam o feto, como stress, infecções, exposição a substâncias tóxicas, complicações durante a gravidez e desequilíbrios metabólicos teriam o mesmo peso.

Até o momento, não há remédios específicos para tratar o autismo. A terapêutica é feita com acompanhamento multidisciplinar, composto de pediatra, psiquiatra da infância e adolescência, neurologista, psicólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogos e fonoaudiólogo, e tem o objetivo de ajudar no desenvolvimento da criança. Frequentemente, as terapias são combinadas com remédios para tratar sintomas associados, como insônia, hiperatividade, agressividade, falta de atenção, ansiedade, depressão e repetições. Um elemento essencial no tratamento é o treinamento com os pais. O contexto familiar é fundamental no aprendizado de habilidades sociais e no reforço de comportamentos adequados.

Dra. Jaqueline Bifano atende na Av. do Contorno, 3975, sl. 404, Sta. Efigênia. Tel.: 3223-8053 / 98856-3418. Instagram: @drajaquelinebifano Ela é psiquiatra com residência em psiquiatria (HPJ/UFF), psiquiatra da infância e adolescência (HC/UFMG) e psicoterapeuta (IPUB/UFRJ).

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Jaqueline Bifano

Jaqueline BifanoÉ psiquiatra com residências em psiquiatria (HPJ/UFF), psiquiatra da infância e adolescência (HC/UFMG) e psicoterapeuta (Ipub/UFRJ) CRM-MG 50015 / RQE 39035

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