Matérias de Capa

BELEZA NATURAL

Desde que estreou nas telinhas, aos 11 anos, em Colégio Brasil, novela exibida pelo SBT, Paloma Bernardi percorreu um longo — e fértil — caminho. Fez carreira no teatro, estrelou folhetins em horário nobre na Rede Globo, brilhou em curtas e longas-metragens, como Mais Forte que o Mundo — obra biográfica sobre a vida do lutador de MMA José Aldo —, e participou de séries, webséries e minisséries. Sua primeira protagonista, todavia, veio aos 34 anos. Ela foi convidada para interpretar a médica Lúcia em O Escolhido, a primeira trama nacional sobrenatural produzida pela Netflix.

Adaptada da série mexicana Niño Santo por Raphael Draccon e Carolina Munhóz, a história acontece na fictícia Aguazul, no Pantanal, embora tenha sido gravada na cidade de Natividade, no Tocantins. Lúcia e outros dois jovens médicos são enviados ao vilarejo para vacinar os moradores contra uma nova mutação do vírus zika. O que acontece depois é de arrepiar os cabelos. Em seis episódios de uma hora de duração cada um, Paloma dá um show de atuação. A trama foi tão bemrecebida que mal estreou e a plataforma de streaming já confirmou a segunda temporada, com estreia prevista para novembro deste ano.

Enquanto não volta às gravações, a bela aproveita para tirar uns dias de descanso — curtir o namorado, o ator Eduardo Pelizzari, aproveitar a família e viajar. Sem se esquecer, é claro, de cuidar do corpaço.

Como surgiu o convite para protagonizar O Escolhido?

Eu soube do teste para a Lúcia e o fiz, assim como outros artistas. Os roteiristas e o diretor souberam que eu estava sendo cotada e já bateram o martelo. Sou muito grata a eles, esse trabalho entrou para a lista dos mais desafiadores e estimulantes que já fiz.

É sua primeira produção Netflix?

Sim, é a minha primeira produção na casa, o primeiro suspense sobrenatural que faço — e que a Netflix produz — e a minha primeira protagonista. Fico muito feliz por terem me escolhido e por confiarem em meu trabalho.

Você acha que o futuro é o streaming?

Cada vertente tem a sua importância. O streaming abriu muitas portas para que outros projetos e experiências entrassem em campo, o que eu sempre acho válido para nós, artistas. O alcance da plataforma é surreal, tenho recebido mensagens de diferentes partes do mundo.

Existe uma competição declarada com a TV aberta nas produções brasileiras?

Acho que elas coexistem da melhor maneira possível. A mudança acontece e é natural causar um estranhamento no início, mas há espaço para todo mundo. Ambas estão empenhadas em fazer arte, em contar histórias e, no final das contas, é isso o que vale.

Foi um desafio de que natureza viver Lúcia?

Acho que foi um desafio quase pessoal, além de profissional. A Lúcia é uma líder nata, está sempre à frente e querendo fazer o bem, nós nos assemelhamos em algumas coisas. Passar mais de três meses quase isolada em Natividade foi um choque para mim. Nasci e cresci em São Paulo, moro no Rio de Janeiro e, por mais que sempre tenha amado a natureza, a imersão que tive abriu meus olhos para muitas coisas. Aprendi muito com essa experiência e percebi que, na verdade, a natureza é que é a grande protagonista.

A série fala sobre crenças. Qual é a sua crença?

Eu sou católica. Minha família sempre incentivou a fé em mim e em meus irmãos. Mas também acredito em muita coisa que a ciência propõe. Para mim, uma complementa a outra. O ser humano é feito tanto da fé quanto da razão.

Como você cuida da saúde espiritual?

Vou à missa todo domingo e procuro sempre fazer o bem ao próximo. Recentemente participei do projeto “Olhar do Sertão”, da Martha Medeiros, cujo bazar reverteu os lucros para as rendeiras nordestinas. Senti muita proximidade, pois minha mãe é pernambucana.

Qual é a sua relação com o seu corpo?

Sou muito tranquila em relação a isso. Eu pratico exercício físico porque uma dose de endorfina na semana me faz bem, mas não sou neurótica. O ideal é ter equilíbrio e saber se cuidar, mas também curtir. Para mim, é nisso que reside uma boa relação com o corpo.

Você já disse em uma entrevista que costumava ser bem magrinha a ponto de a chamarem de Olivia Palito. Isso gerou algum tipo de ansiedade ao longo da vida?

Não muito. Quando somos mais novas e ainda estamos nos descobrindo como pessoa e como mulher, ligamos mais para o que dizem de nós, mas no meu caso não chegou a gerar uma ansiedade. Segui em frente. Sempre fui muito tranquila em relação à aparência. Tenho uma base familiar que sempre me ajudou e me apoiou bastante, que me mantém no chão e me ensinou, inclusive, a lidar com o bullying. Isso é fundamental.

Tem um cardápio específico no dia a dia?

Fixo, não. No geral, tento manter uma refeição balanceada, com os nutrientes necessários, maneirar no doce, porque sou uma formiguinha (risos), e comer bastante salada. Vai muito do momento em que me encontro também. Por exemplo, no Carnaval eu costumo fazer uma dieta mais restritiva, sem carboidrato após as 6 da tarde. É a lei da compensação.

Já encarou dietas restritivas mais prolongadas?

Nada muito extremo, apenas uma reeducação alimentar para atingir um objetivo. Na época em que eu desfilava no Carnaval, sentava com os meus médicos, o nutrólogo Roberto Navarro e a nutricionista Bruna Gardim, para criarmos, juntos, algo para me ajudar a secar de forma saudável. Hoje em dia não faço mais, porque, ultimamente, meus projetos têm exigido outros esforços.

É comum, no Instagram, você indicar estabelecimentos veganos. Você é vegana, vegetariana ou entusiasta?

Eu sou boa de garfo mesmo (risos). Não sou vegana nem vegetariana, mas gosto de vários pratos que seguem essa linha natural. Eu me sinto melhor, mais leve e certa de que é uma alimentação saudável. Não acho que conseguiria adotar esse estilo de vida, porque gosto de comer de tudo, mas admiro bastante quem o pratica, porque é uma pessoa mais consciente do nosso mundo e do meio ambiente.

Quais são seus pratos prediletos dentro dessa culinária?

Provo de tudo nos restaurantes a que vou. Em casa costumo comer hambúrgueres ricos em abóbora, hortelã e grãos. É um prato prático e muito saboroso.

O que você diria para um carnívoro que tem receio de explorar novos paladares?

Existe sabor em tudo que é feito com amor, e as comidas veganas e vegetarianas também têm suas riquezas, qualidades e, na maioria das vezes, são mais artesanais. Vale a experiência. Eu acho que o ideal é experimentar e, se não gostar, tudo bem, ninguém vai julgar. Sou carnívora e mesmo assim não deixo de comer pratos que têm outra linha e que são tão bons quanto. Não perdem em nada.

Você é disciplinada ou precisa de um empurrãozinho para malhar?

Vou confessar que, às vezes, preciso de um empurrãozinho, principalmente quando passo muito tempo sem malhar, como aconteceu agora. Quando estava gravando O Escolhido, passei três meses em Natividade, que fica em Tocantins, e não tinha como ter uma rotina regrada de exercícios, porque gravava todos os dias, com externas e noturnas que realmente cansavam. Ao voltar para São Paulo foi mais complicado encontrar disposição. Até meu pai tinha de insistir para eu ir. Hoje já voltou a ser parte da minha rotina e sofro menos.

Quem é a melhor pessoa para motivá-la?

De certa forma, todo mundo que está no meu dia a dia, mas com certeza o meu personal trainer ganha (risos). Minha irmã tem ido malhar comigo às vezes. Costumamos fazer aulas de dança juntas, o que já é um baita exercício, saio completamente exaurida. Já houve ocasiões também em que meu pai me motivou, principalmente em dias mais frios, como têm sido os de São Paulo.

Qual é a sua rotina de treino?

Eu mesclo bastante malhação com aeróbico. Um dia faço mais musculação e no outro já pratico funcional ou dança. Eu amo dançar, é bom para o corpo, mente e alma. Faço danças mais sensuais com o Justin Neto e ballet fitness. Vou intercalando durante a semana. No geral, tento ir à academia três vezes na semana. Se estou motivada, vou mais.

Qual foi a maior loucura que você já fez para manter o corpaço?

Nunca fui de fazer loucuras. As dietas mais restritivas que eu fazia no Carnaval eram bem extremas, já que sempre fui de comer de tudo sem culpa.

Algum papel já exigiu de você algo extremo?

Fisicamente, por enquanto, não, mas eu não me importaria em fazer se não fosse prejudicar a minha saúde, claro. Adoro me desconstruir para as personagens, me jogar de cabeça e viver de fato a história.

Como você avalia sua forma física hoje?

O meu corpo é tipicamente brasileiro e sou feliz assim, mas a gente sempre tem algo que deseja melhorar, isso é natural. Por exemplo, às vezes me incomodo com o culote. Em outros momentos, nem noto. Mas acho que estou na minha melhor fase, me cuidando e curtindo bastante o meu corpo.

Você é muito vaidosa?

Eu sou uma mulher vaidosa, sim, mas na medida certa. É bom se cuidar, se amar, mas tudo com equilíbrio. Qualquer coisa em exagero é prejudicial.

Quais são seus truques para cuidar dos cabelos?

Eu procuro hidratar sempre que possível. Se não posso ir ao salão, faço em casa mesmo. Como a minha profissão exige muito dos fios, de tanto usar secador, chapinha e babyliss, é fundamental tê-lo hidratado. Um truque importante é nunca torcer o cabelo em uma toalha ao sair do banho, porque isso quebra os fios. A maioria das pessoas faz isso.

E para cuidar da pele?

Uso bastante protetor solar, água termal e bebo muita água. Também uso cremes manipulados que a minha dermatologista recomenda. No meu caso, a área abaixo dos olhos é mais seca, então cuido bastante dessa parte, até porque estou quase sempre de maquiagem. Aliás, outra dica, desta vez para quem precisa usar maquiagem sempre, é não usar se não for necessário. Deixar a pele respirar um pouco faz bem.

Já fez algo de que se arrependeu profundamente?

Não. Até porque não gosto de intervenções muito invasivas. Os cuidados que tenho com a pele são leves e não invasivos.

Tem vontade de mudar algum detalhe em você?

Por enquanto, não. Estou bem satisfeita com a minha aparência.

O que mais gosta de fazer quando não está trabalhando?

Adoro ficar em casa e curtir minha família ou ir ao teatro, a shows ou ao cinema. Amo viajar também. Na verdade, preciso fazer mais viagens (risos). Nos últimos anos tenho trabalhado sem parar, graças a Deus, mas agora vou conseguir tirar alguns dias de descanso.

Qual o seu maior sonho de vida?

Continuar vivendo da minha arte e melhorar cada vez mais como pessoa e como profissional. Eu amo o que faço e quero continuar nessa trilha por um bom tempo.

Aonde você pretende chegar?

Para mim não existe um ponto-final. Acho que a questão é continuar se aperfeiçoando, aprendendo e desafiando. Batalhar para ser sempre a melhor versão de si mesma.

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