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COM A BOLA TODA

AOS 43 ANOS, O ATOR CELEBRA A AGENDA ABARROTADA, FALA SOBRE FAMÍLIA E REVELA OS CUIDADOS COM A SAÚDE

Desde que estreou na TV, em 1985, como o Cuca, na novela A Gata Comeu, Danton Mello não saiu mais do radar da TV Globo. Começou a encarar, frequentemente, novos desafios na telinha. Mas foi dez anos depois, no papel de Héricles — o protagonista da primeira temporada do folhetim juvenil Malhação —, que sua carreira deslanchou. “Esse personagem me levou para outro lugar”, diz. “Pude mostrar que havia deixado de ser criança e que poderia fazer grandes papéis.” Hoje, aos 43 anos, o mineiro de Passos, criado em São Paulo, comemora mais de três décadas de estrada com um sem-número de projetos. Lançou, em maio, o longa Antes que Eu Me Esqueça, que aborda o Mal de Alzheimer para discutir as relações familiares. “O meu grande desafio foi mostrar um personagem distante, frio e sem relação com o pai”, conta o ator, que na vida real é muito próximo dos pais e das filhas, Luísa e Alice Mello, de 17 e 14 anos, respectivamente, do casamento com Laura Malin.

O artista, que se casou em 2017 com a empresária Sheila Ramos, rodou ainda o filme Arigó, sobre José Pedro de Freitas (1921-1971), o Zé Arigó, médium mineiro. “Engordei alguns quiAOS 43 ANOS, O ATOR CELEBRA A AGENDA ABARROTADA, FALA SOBRE FAMÍLIA E REVELA OS CUIDADOS COM A SAÚDE Por: Isabella Grossi Direção: Anderson Almeida / Fotos: Bruno Correa / Stylist: João Paulo Durão / Make: Euler Santos los para ficar o mais parecido possível, e valeu a pena todo o esforço”. Atualmente, com 89 quilos distribuídos em 1,81 metro, está no elenco de Deus Salve o Rei e rodando, paralelamente, um longa sobre a história de Hebe Camargo. O ator interpretará Claudio Pessutti, sobrinho e empresário da diva. Não bastasse, gravará em breve também a nova temporada de Tá no Ar, com Marcelo Adnet e Marcius Melhem.

Mesmo com a vida atribulada, Danton não se descuida, hora alguma, da saúde. Principalmente depois que foi diagnosticado com diabetes, em 2013. “Foi um choque, mudei radicalmente, perdi muitos quilos em muito pouco tempo”, lembra. “Hoje em dia a doença é totalmente controlada com remédios e alimentação.”

O que mudou na sua rotina após descobrir que era diabético?

Primeiro, foi um susto. Sempre tive a glicose um pouco no limite, mas quando ela explodiu, o que mudou foi a alimentação. Às vezes, saio um pouquinho (da dieta), mas o importante é o cuidado. Não dá para brincar com uma doença tão séria e silenciosa.

Como foi o processo de adaptação?

Na verdade, foi um susto na consulta médica, mas a adaptação foi tranquila, porque eu coloquei na cabeça que sou diabético e que era preciso mudar. Ou eu mudava, ou não teria uma vida tranquila. É necessário ter consciência, entender o que se passa e seguir uma rotina diferente.

Já era adepto de dietas e atividades físicas ou foi um marco?

Tenho altos e baixos (risos). Gosto de comer de tudo, mas hoje como muito bem e não é um esforço. Abri mão de algumas coisas que eu fazia de maneira errada, como comer carboidrato à noite e consumir massas e doces. Entendi que não podia mais, então segui numa boa. Sobre praticar atividade física, confesso que nunca fui fã. Às vezes tento fazer uma caminhada, mas depende da agenda.

Em que é baseado seu cardápio?

É uma alimentação leve, sempre com o acompanhamento do meu médico.

Do que é mais difícil abrir mão no dia a dia?

Ah, o doce. Desde pequeno meus pais já me chamavam de formiguinha. Hoje sei que não posso comer na mesma proporção de antes, mas não vou negar que gosto muito de um doce de leite mineiro e uma goiabada (risos)

Tem algum truque para substituí-los?

Tenho! Substituo por frutas, na verdade. Eu, sinceramente, não sou fã de chocolates light e diet, e o engraçado é que, quando você diminui o doce e inclui frutas, você vê que realmente a dieta fica mais saborosa e saudável.

Já teve complicações decorrentes da doença?

Não. Felizmente não, mas estou sempre atento, me cuidando e indo ao médico para fazer check-up.

Quais outros cuidados você toma para manter a saúde em dia?

Bebo muita água. Bastante, mesmo.

Você é vaidoso?

Cuido mais dos meus personagens do que de mim mesmo (risos). Sou normal, não me considero vaidoso, mas me cuido.

A propósito, como foi o convite para interpretar o protagonista em Antes que Eu Me Esqueça? Aceitou de cara?

Surgiu pela produtora de elenco, Cissa Castelo. Ela me ligou em março de 2016, e eu estava com viagem marcada para visitar minhas filhas, faltavam dois ou três dias para embarcar. Li o roteiro no voo e fiquei muito emocionado. Chorei no avião, foquei tocado pelo tema e pelo relacionamento de pai e filho. Na hora, minhas filhas vieram à cabeça, e meus pais, que estão envelhecendo, também. O filme era para ser rodado justamente em maio, quando eu retornaria de viagem. Então, quando cheguei aos Estados Unidos, entrei em contato com os produtores e topei. Confesso que fiquei muito encantado com a história, e poder transmitir a importância da família para o público é fantástico.

Diferentemente do personagem, família, para você, está no topo da lista de prioridades. Como é a relação com seus pais?

Sempre foi maravilhosa. Somos muito próximos. Acho muito importante essa relação de parceria, de transparência e de diálogo, e é exatamente isso que tento ter com as minhas filhas também.

Hoje, elas moram nos Estados Unidos. A distância compromete muito o envolvimento com as meninas ou vocês têm um jeito de lidar com isso?

Compromete um pouco, mas, felizmente, temos a tecnologia das redes sociais e internet no celular. A gente se fala e se vê, mas nada se compara a estar junto, ao olho no olho e ao toque. Tento ir sempre, entre um trabalho e outro, e elas também vêm bastante. Ficamos muito tempo sem nos ver, porém, quando estamos juntos, ficamos juntos o bastante. Temos qualidade nos encontros. Sinto muito a falta delas, ainda mais neste momento, em que elas estão crescendo, passando por uma fase importante da vida. Sei que existem muitas coisas que elas gostariam de dizer e, de repente, não falam por causa da distância. Nada melhor do que estar junto realmente, para deixar fluir assuntos, que não vêm em uma conversa por telefone ou videoconferência. certos assuntos, que não vêm em uma conversa por telefone ou videoconferência

Você acaba de fazer sua primeira tatuagem. Uma bandeira de Minas Gerais. Por que homenagear o estado?

Eu acho lindo tatuagem, há muito tempo eu tinha esse desejo de fazer. Acho muito bonito, porque marca um momento da vida. A ideia de fazer a bandeira mineira surgiu há um ano e meio mais ou menos, quando fiz uma viagem com minhas filhas de carro, do Rio de Janeiro até minha cidade, Passos, no interior de Minas. Depois viajamos pelo estado, passamos por várias cidades, visitamos a família e foi aí que veio essa vontade de tatuar minha raiz, minha história. Aliás, nossa história. Falo no plural porque, apesar de não serem mineiras, as meninas amam e se sentem super em casa. Acabou surgindo o lançamento de Antes que Eu Me Esqueça, em Belo Horizonte, e eu queria fazer em Minas Gerais com um tatuador mineiro. Era a oportunidade de fazer e registrar. Estou muito feliz e as meninas curtiram muito.

Ainda tem uma relação forte com Passos?

Sim. Aliás, a maior parte da minha família está lá. Sempre que vou, tenho uma sensação muito boa, uma lembrança de infância, o gosto, o cheiro. O pãozinho de queijo que você vai comer na casa de uma tia, o picolé da sorveteria, o passeio da pracinha, visitar a família, ir ao sítio, a uma cachoeira, tudo isso lembra a infância. É muito bom. Gostaria de ter mais tempo para ir, mas essa vida é tão corrida, vamos emendando um trabalho em outro, e o pouco tempo que sobra é para visitar as minhas filhas.

O que mais te encanta nessas paragens?

O clima! É um estado lindo e deslumbrante. Sou suspeito para falar, eu amo Minas Gerais

Seu último longa, Arigó, também foi rodado em Minas Gerais. Já conhecia a história do médium?

Não conhecia. Na verdade, já tinha ouvido falar do doutor Fritz, mas provavelmente não era o Arigó, porque houve outros médiuns que o incorporaram. Como ele faleceu em 1971, e sou de 1975, o que devo ter visto na televisão, quando pequeno, eram outros. A história dele realmente é linda. O Arigó foi um homem iluminado, amado, adorado, odiado, sofreu muito preconceito, mas ajudou milhares de pessoas. Um homem extremamente generoso, que abdicou da vida pessoal para cuidar do próximo. Confesso que estou com muitas expectativas em relação ao filme, a história dele é muito intensa.

Como foi a experiência de interpretar uma figura tão simples e, ao mesmo tempo, tão nobre, que curou milhões de pessoas com sua mediunidade?

Foi um desafio enorme. Eu realmente me entreguei a esse personagem de corpo e alma. Fiquei o tempo inteiro em Minas Gerais, não quis me desconectar da terra. Eu tinha uma folga por semana e não voltava para a casa, no Rio de Janeiro. Foi o contrário, minhas filhas e minha mulher foram para lá três fins de semana. Eu estava tão imerso a esse universo e ao personagem que não fazia sentido pegar a estrada, linha vermelha, Rio de Janeiro, cidade grande, violência. Eu me transportei para aquela época, para aquela região e vivi a história linda desse homem.

Ao longo da carreira, qual trabalho lhe deu mais orgulho?

Pergunta difícil, essa. Todos os trabalhos foram importantes, mas vou citar A Gata Comeu, que foi a minha primeira novela, Malhação, meu primeiro protagonista, e Cabocla, uma novela da qual tenho muito orgulho.

Tem algum sonho que ainda não realizou?

Sonho ver minhas filhas crescerem e viver muito e em paz. Já vivo em um sonho com meu trabalho, com a minha família, minhas duas filhas, minha esposa, sensacional e parceira, e com minha saúde, apesar do diabetes.

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O Mirante do Papa. Tem uma vista linda, deslumbrante, e é ali que qualquer turista que chega à cidade entende por que ela se chama Belo Horizonte.

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