MEDICINA

CRIANÇAS QUE MENTEM

É difícil encontrar uma criança que não minta ou que não tenha mentido em alguma fase.

O comportamento surge a partir dos 2 anos de idade. Mesmo sem a elaboração verbal da mentira, os pequenos mentem com gestos, express.es faciais, escondendo objetos ou apontando pessoas.

Se considerarmos a mentira como uma alteração intencional voluntária da verdade, podemos dizer que, durante a primeira infância, a criança não mente propriamente. Em geral, ela deturpa os fatos, quase sempre por excesso de imaginação. A criança cria aquilo de que precisa para satisfazer suas necessidades naturais. Assim, o filho único inventa um irmãozinho e os meninos muito sozinhos, que são pressionados pelos pais e quase não têm contato com outras crianças, inventam um amigo.

O ato de mentir, no entanto, também pode ser aprendido e mantido quando a criança consegue obter determinado resultado favorável a ela: ganhar algo de que gosta ou evitar o que não gosta. Outras vezes, pode querer apenas ocultar para não ser condenada pela ética dos adultos. Nesse caso, ela apresenta o fato modificado pela imaginação de forma a agradar às pessoas que a cercam.

Geralmente, as crianças que começam a mentir de forma compulsiva estão passando por um estado de medo emocional ou de ansiedade. Elas começam reagindo a alguma situação determinada e, em seguida, isso se transforma em um hábito.

O objetivo, ao mentir, nunca será ofender, manipular e/ou enganar os outros. A intenção é bem menos complexa. Por isso, antes de tomar qualquer atitude, é fundamental descobrir o que está por trás do comportamento. O mais importante é entender a causa pela qual mentem para poder ajudá-las a superar o transtorno.

Jaqueline Bifano

CRM 50015
RQE 39035 (psiquiatria)
RQE 39036 (psiquiatria infantil)

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Jaqueline Bifano

Jaqueline BifanoÉ psiquiatra com residências em psiquiatria (HPJ/UFF), psiquiatra da infância e adolescência (HC/UFMG) e psicoterapeuta (Ipub/UFRJ) CRM-MG 50015 / RQE 39035

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