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DE VOLTA A CASA

Pela primeira vez, em 27 anos de carreira, a cantora sertaneja escolhe Sete Lagoas, sua cidade natal, para a gravação de DVD

O bom filho a casa torna. A expressão não poderia definir melhor o atual momento de Paula Fernandes. Com 27 anos de carreira e mais de 5,6 milhões de discos vendidos, a cantora sertaneja escolheu Sete Lagoas, sua terra natal, para a gravação do próximo DVD, em 12 de junho, Dia dos Namorados. “Foi o meu primeiro palco, e os moradores, meus primeiros fãs. Isso me dá uma alegria imensa”, comemora. “A cidade sempre me apoiou, me acolheu e me incentivou a voar. Agora, de volta, vou escrever um novo capítulo da minha história.” Além de músicas novas e releituras de grandes sucessos, a mineira aposta em feats para agradar a seu séquito de fãs.

Solteira outra vez, após um relacionamento de seis meses com o empresário paraibano Gustavo Lyra, que teve fim em abril, Paula faz o possível para conciliar a agenda de shows e a vida na chácara, em Belo Horizonte, onde passa a maior parte de seu tempo livre. Na toada da vida, cuida bem da alimentação e não deixa, em hipótese alguma, de praticar exercícios físicos. A silhueta é prova disso — 34 anos, 1,65 metro e modestos 50 quilos. Sem contar a invejável cinturinha. “Muita gente acha que eu tirei a costela”, diverte-se. “Mas essa cintura eu herdei da minha mãe, e é uma das partes de que eu mais gosto no meu corpo.”

Você é muito exigente com o seu corpo?

Um pouco, acho que já fui mais. Hoje a minha intenção é realmente me manter saudável. Minha carreira exige muito de mim fisicamente, pelas viagens e shows, então é importante que eu esteja sempre bem para aguentar a rotina.

É adepta de quais práticas esportivas?

Eu gosto de malhar, pular corda e também montar em meus cavalos. Os exercícios físicos são uma terapia para mim, fazem muito bem para o meu corpo e mente.

Qual sua rotina de treino?

Sempre que possível, tento ir à academia para levantar alguns pesos. Na estrada, nem sempre consigo, mas levo meus pesinhos para malhar no quarto do hotel. Quando nada disso é possível, a corda me salva.

A agenda cansativa de shows interfere na sua busca pela saúde?

Estou na estrada desde muito pequena, me acostumei com essa rotina intensa de shows e outros compromissos. Ainda assim, mantenho a parte física em dia com a malhação e procuro me alimentar de forma balanceada, mesmo fora de casa.

Como faz para manter a disciplina e a motivação?

Sou muito disciplinada. Precisei ser assim por trabalhar desde muito nova. Não é difícil para mim. Talvez o maior desafio seja não cair na tentação dos doces e comidas gordurosas, mas a minha motivação vem do desejo de me manter saudável. Aprendi com minha mãe que os maiores patrimônios que ela poderia me deixar são os meus valores e o cuidado com a saúde. Então, vem de berço mesmo.

Você tem o acompanhamento de um nutricionista?

Sim, já há algum tempo. Comecei a ver que meu corpo não estava mais processando os alimentos como eu gostaria. Fiz vários exames e constatei um descontrole da minha tireoide, por isso minha alimentação é mais restrita.

Restrita como?

Evito glúten, gosto do sal rosa e tirei o açúcar da alimentação.

Qual é a base do seu cardápio?

Tomo um limão espremido em meio copo de água em jejum todos os dias, não como pão e amo frutas. Evito comer raízes, a exemplo da mandioca, inhame e batata. Descobri que, infelizmente, nosso solo é pobre. Também comecei a usar suplementos para complementar a alimentação.

Quais são suas comidas prediletas?

Os biscoitos que minha mãe faz. Na verdade, tudo o que ela faz. Bolo de cenoura com chocolate também não pode aparecer lá em casa.

E o que não come de jeito nenhum?

Rã e escargot.

A gastronomia mineira, além de saborosa, pode ser bem calórica. Qual prato e sobremesa são capazes de tirar você do sério?

Um bom franguinho caipira com angu, feijão, quiabo, jiló e uma pimentinha (risos). Para a sobremesa, cocada queimada, doce de leite com coco e mousse de limão. Comida mineira não tem igual.

Já sofreu, em algum momento, com distúrbios alimentares?

Quando tive depressão, eu praticamente não comia, foi uma época em que fiquei realmente muito magra. Conforme fui tratando meu psicológico, minha alimentação foi retornando ao normal e não tive mais problemas.

Quando foi que você teve depressão?

Aos 18 anos. Eu ainda estava em busca do sucesso, rezando para que minha carreira finalmente engrenasse, e, de repente, me vi sem esperanças. Claro que, naquele momento, não percebi que estava doente, mas já apresentava alguns sinais. Eu estava extremamente magra, não comia e não tinha vida social. Foi um momento difícil, mas me fez mais forte.

Como conseguiu superar essa fase e reencontrar o equilíbrio?

A música me ajudou muito, é a minha grande paixão, e em momentos de fraqueza sempre me dá forças. Mas também tive o apoio de amigos, familiares, principalmente da minha mãe, que sempre acreditou que eu podia ir além e me fez acreditar nisso também.

Hoje você faz terapia?

Faço e acredito que até mais importante do que cuidar do corpo é cuidar da mente, afinal é ela que vai ditar todo o resto. Um psicológico tranquilo melhora qualquer situação. Além da terapia, procuro realizar atividades que relaxem e descansem a cabeça, como mexer na terra, andar a cavalo e fazer crochê.

O que você mais ama fazer quando não está trabalhando?

Gosto muito de descansar na minha chácara, ficar ao lado dos animais e curtir o silêncio do mato.

Na correria do dia a dia, de quais cuidados de beleza você não abre mão?

Não durmo maquiada de jeito nenhum e gosto muito de drenagem. Quando posso, tento dormir oito horas por dia. Infelizmente, acabo dormindo menos do que gostaria, porque meu trabalho acontece à noite, e por causa da logística também é difícil voltar para casa e dormir cedo.

Como trata os cabelos e a pele?

Uso óleo de coco para tudo, faço a hidratação do corpo e do cabelo com ele. Também gosto de passar quando vou tomar sol, o que me garante um bronzeado mais uniforme. No rosto, protetor solar, sempre.

Mudaria alguma coisa em você?

Como toda mulher, não vou dizer que estou 100% feliz com a minha aparência, mas aprendi a me aceitar. Não mudaria nada, acho até que os defeitos fazem parte da beleza.

Pretende se casar?

É um dos meus sonhos, mas não tenho pressa. Acredito que tudo acontece na hora certa, estou com o pé no chão.

E tem planos de ter filhos?

Outro grande sonho meu, talvez o maior. Penso até em congelar óvulos para que eu não tenha problemas para engravidar no futuro.

Você foi uma das primeiras mulheres no sertanejo brasileiro, que hoje está dominado por elas. Acha que influenciou essa nova geração?

Acho que ajudei, sim. Quando comecei a fazer sucesso, o sertanejo era dominado pelos homens. Claro que antes de mim tivemos grandes nomes, como as Irmãs Galvão e Roberta Miranda, entre outras que são grandes inspirações, mas elas eram de outra época e já fazia um tempo que o sertanejo feminino pedia mais representantes. É motivo de muito orgulho para mim ter sido uma influência para tantas cantoras talentosas e ajudado a abrir caminhos. Conquistamos nosso espaço e o feminejo chegou para ficar.

Como é a sua relação com as sertanejas?

É boa, assim como a que tenho com os homens do sertanejo. Acredito que há espaço para todos nós, sem essa história de concorrência. Estamos aqui para fazer música, e a música só ganha com a diversidade de vozes e estilos.

Já sofreu algum tipo de discriminação?

Sofri bastante, não só por ser mulher, mas também porque comecei a cantar muito cedo, com apenas 8 anos. Sempre tive que provar o meu talento, primeiro por ser criança e depois por ser mulher. Hoje olho para trás e fico muito orgulhosa de ver o que conquistei. Os obstáculos serviram para me trazer até onde estou e também consolidaram minha carreira.

À época, qual foi sua estratégia para se destacar?

Fazer o meu trabalho, respeitando o espaço de todos, para que também respeitassem o meu. Eu estava ali para cantar e mostrar o meu talento, então não me preocupava muito em me destacar. Sempre tive no meu coração este sentimento: fazendo o que eu sei fazer, de forma bem feita, as pessoas iriam notar minha voz e o meu trabalho. E foi o que aconteceu.

Na sua trajetória, que momento mais te marcou?

Cantar com o Rei Roberto Carlos foi uma das maiores emoções da minha vida, impossível descrever tudo o que eu senti naquele momento.

Algum sonho a realizar?

Tenho muitos ainda, mas posso citar o desejo de gravar uma canção com o John Mayer. Seria uma honra estar ao lado dele, é um artista incrível.

Apesar de aproximar o artista do público, a exposição nas redes sociais também dá muita abertura às críticas. Como lida com isso?

As críticas já me incomodaram muito, mas aprendi que não vou conseguir agradar a todo mundo. Os haters hoje não me afetam tanto e eu acabo, inclusive, bloqueando alguns das minhas redes sociais. Acredito que, se você não gosta de mim e não gosta do meu trabalho, não tem por que me acompanhar só para me criticar. É um espaço de troca muito gostoso com meus fãs e amigos e quero mantê-lo dessa forma.

Para você, qual o pior lado da fama?

São as críticas vindas de pessoas que não me conhecem. Muitos acham a Paula chata e antipática, mas não sabem que sou uma menina criada no mato, que comecei a trabalhar muito cedo, quase não tive infância nem amigos, e que sou extremamente tímida. As pessoas julgam sem saber, isso é o que mais me incomoda.

E o melhor?

Com certeza é o carinho dos meus fãs. Eles me acompanham em todos os lugares e ficam ansiosos comigo antes dos lançamentos e trabalhos. Muitos deixam de trabalhar ou ficar com a família para me acompanhar, é um amor muito puro e sincero. Essa é a minha maior recompensa.

Você tem trabalhado para desconstruir essa imagem de perfeitinha, como você mesma diz. Conte para nós qual o seu maior defeito.

Sou muito metódica, exigente e perfeccionista, mas nem sei se realmente isso é defeito. Gosto de ver as coisas saindo exatamente como planejado e da melhor maneira possível. Às vezes, sou chata com isso, mas é porque quero sempre dar o meu melhor à minha família, aos amigos, ao namorado e aos fãs.

Paula por Paula: como você se define?

Sou uma pessoa determinada, trabalhadora e apaixonada.

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