Saúde

Diagnóstico laboratorial da COVID-19

E m dezembro de 2019, surgiu na província de Wuhan, na China, a síndrome respiratória aguda severa relacionada ao novo coronavírus, o Sars-COV, ou Covid-19, que chegou ao Brasil e provocou, até o momento, mais de 90000 óbitos e, em alguns estados, colapsou a rede pública de unidades de terapia intensiva. A construção do conhecimento da Covid-19 mostrou que a doença, em alguns indivíduos, é muito mais que uma gripe ou pneumonia, tendo complicações como tromboembolismo cardíaco (com infarto agudo do miocárdio) ou cerebral, insuficiência renal aguda, eventos causadores de desfecho ruim com óbito. Na grande maioria dos infectados pelo novo coronavírus, os sintomas são um resfriado ou ausentes, após o período de incubação. Entretanto, esses indivíduos transmitem o vírus durante dias por meio de secreções respiratórias, mãos que tocam boca e nariz, urina e até mesmo fezes.

Logo após o início da epidemia, tornou-se mandatório o desenvolvimento de exames laboratoriais para o diagnóstico de Covid-19.À semelhança do que ocorreu nas gripes aviária e suína, na década passada, o exame considerado como diagnóstico de certeza de Covid-19 é o teste molecular, que detecta o RNA do vírus em secreções respiratórias colhidas do nariz ou boca do paciente por swab e por profissional habilitado. Esse teste é denominado RT-PCR ou reação em cadeia da polimerase por transcrição reversa, e, quando positivo, determina a chamada doença aguda ativa.

A técnica e o momento para a coleta constituem fatores que podem interferir na qualidade e sensibilidade do resultado do RT-PCR, sendo as principais causas de falso-negativo. O momento ideal para a coleta é durante o período entre o terceiro e o sétimo dias após o início dos sintomas. Pode-se fazer o teste em profissionais de saúde da linha de frente e em contatos de indivíduos positivos, mesmo sem saber em que momento houve a exposição.

Deve-se ressaltar que o RT-PCR com RNA viral detectado, por sequência específica do novo coronavírus, tem alta assertividade, excluindo outros coronavírus já conhecidos e sem reação cruzada. Durante os seis meses de pandemia, foram desenvolvidos outros exames com técnicas diferentes que detectam proteínas virais na fase aguda da infecção, tais como o teste rápido, usando secreções respiratórias colhidas por swab entre o terceiro e sétimo dias, com resultado liberado em até trinta minutos. Os exames sorológicos, colhidos em sangue, são usados para determinar infecção passada, mesmo que recente, e detectam anticorpos (IgM, IgG), formados por volta do 14º dia após o início dos sintomas. O método mais usado é o imunocromatográfico, ou teste rápido, que pode também apresentar resultados falso-positivos e negativos.

A principal finalidade dos testes sorológicos é avaliar o retorno ao trabalho para profissionais de saúde ou indivíduos
que tiveram Covid-19 e cumpriram quarentena. Fique atento aos sinais clínicos e a contatos com indivíduos positivos. Saúde para todos!

Dra. Débora M. T. de Andrade é médica patologista clínica com mestrado pela UFMG, diretora técnica do Laborclínica e professora nos cursos de medicina da UFOP e Unifenas-BH CRM 25506

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