MEDICINA

ESPELHO, ESPELHO MEU

O Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) é caracterizado por afetar a percepção da própria imagem corporal

Mal guardamos as roupas de frio e já começamos a nos preocupar com o corpo à mostra, no verão. A maior parte dos incômodos, no entanto, é exagerada. Muito em função das redes sociais e da exigência da sociedade em ostentar corpo e rosto perfeitos. As cirurgias plásticas, os procedimentos estéticos invasivos e minimamente invasivos são ótimas armas para melhorar contornos faciais e corporais que nos desagradam, devolvendo a autoestima. Muitas pessoas, porém, não podem e não devem ser submetidas a eles devido ao transtorno dismórfico corporal (TDC).

O transtorno mental é, em sua maior parte, identificado no consultório dos cirurgiões plásticos, que encaminham o caso para um psiquiatra. O TDC é caracterizado por afetar a percepção que o paciente tem da própria imagem corporal, levando-o a ter preocupações irracionais sobre defeitos em alguma parte do corpo. Segundo estudos da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), a prevalência de sintomas de TDC em pessoas que procuram cirurgias plásticas no Brasil pode chegar a até 57%. Cerca de 80% dos cirurgiões os identificam apenas após a cirurgia, uma vez que muitos dos pacientes têm um discurso adaptado e adequado à realidade que buscam modificar.

Dados mostram que cerca de 2% da população mundial é acometida pelo TDC, que atinge por volta de 4 milhões de pessoas só no Brasil. Homens e mulheres são vítimas desse transtorno em igual proporção. O tratamento é feito com base na identificação de comportamentos que o paciente emite. Fechar apenas um diagnóstico psiquiátrico não é suficiente, afinal, é importante compreender a razão de tal distorção. Como começou, as contingências responsáveis por seu desenvolvimento e, principalmente, a manutenção do padrão de comportamento.

Se você tem feito críticas exacerbadas a respeito da própria aparência, fique atento. Isso pode ser um sinal de que o problema não esteja no físico, mas sim, na mente. Procure ajuda profissional. Todos nós temos que ter noção da nossa real beleza e essência.

Dra. Jaqueline Bifano é psiquiatra com residências em psiquiatria (HPJ/UFF), psiquiatra da Infância e adolescência (HC/UFMG) e psicoterapeuta (Ipub/UFRJ)
CRM 50015
RQE 39035 (psiquiatria)
RQE 39036 (psiquiatria infantil)

Instagram: @drajaquelinebifano

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Jaqueline Bifano

Jaqueline BifanoÉ psiquiatra com residências em psiquiatria (HPJ/UFF), psiquiatra da infância e adolescência (HC/UFMG) e psicoterapeuta (Ipub/UFRJ) CRM-MG 50015 / RQE 39035

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