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Mudanças minuciosamente calculadas

Beleza e saúde são irmãs gêmeas, não vivem uma sem a outra

As pesquisas confirmam que somos atraídos por certos padrões estéticos desde o nascimento. Uma delas, conduzida pela professora de psicologia Judith Langlois, da Universidade do Texas, em Austin, revelou que os bebês provavelmente já nascem com esse julgamento. Depois de separar uma série de rostos considerados belos e outros considerados feios, a pesquisadora descobriu que os bebês gastavam mais tempo olhando aqueles considerados mais belos. Acredita-se que esse juízo leva em conta um ponto primordial: a simetria da face. Concluiu-se, então, que a distância entre os olhos e as sobrancelhas, de um lado, e a harmonia do nariz com a boca, de outro, seriam os principais definidores dos rostos bonitos.

Após a disseminação das selfies, cresceu consideravelmente a procura por um rosto mais simétrico e livre de imperfeições. Por ser o ponto chave da harmonização da face, o nariz encabeça a lista de desejos quando o assunto são procedimentos corretivos. Para o cirurgião especialista da Associação de Otorrinolaringologia e Cirurgia Facial Michel Pires, no entanto, beleza e saúde são irmãs gêmeas. “Não vivem uma sem a outra”, destaca. O formato correto do nariz também é fundamental para uma respiração eficiente e, consequentemente, para a qualidade de vida.

“Muitas pessoas que estavam buscando apenas a correção estética do nariz, por exemplo, não sabiam que tinham problemas internos nasais, e que poderiam ser resolvidos no mesmo operatório”, afirma. “Entre eles, as sinusites de repetição, desvio septal e até mesmo alguma melhora da obstrução nasal e roncos.” Ronco e apneia, aliás, estão entre os principais problemas que comprometem o descanso, mas o tratamento é possível até nos casos mais graves. Atualmente, a uvulopalatofaringoplastia é o procedimento cirúrgico mais usado nesse contexto. E pode ser associado à rinoplastia. Seja para corrigir a parede de cartilagem que divide o nariz ao meio, numa solução funcional, ou para fins estéticos, elevando a autoestima. Antes de iniciar o trabalho, o cirurgião desenha planos para recuperar as proporções corporais, levando em conta a saúde do paciente como limite para as transformações. Há um equilíbrio estético entre o nariz e a face que deve ser respeitado para preservar a harmonia, o que significa que não é possível escolher, aleatoriamente, a forma do futuro nariz. O consenso sobre o resultado possível a ser obtido deve considerar, sobretudo, as funções nasais.

ara Pires, qualquer mudança estética tem que ser minuciosamente calculada. “Busque sempre o cirurgião rinologista ou otorrinolaringologista, ele estuda a especialidade cirúrgica funcional e estética durante três a cinco anos (em adulto e crianças) após os seis anos da formação médica. Para além disso, o médico estuda doenças que podem limitar ou mesmo contraindicar algum procedimento estético. “Sabemos que há condições em que a toxina botulínica não pode ser usada, como em alguns casos de glaucoma ou doenças neurológicas. Por outro lado, a toxina botulínica pode auxiliar no combate à enxaqueca e até em sequelas de derrame cerebral ou paralisia facial”, exemplifica.

A saúde deve ser levada a sério. Este, definitivamente, é o lema de Michel Pires. “É importante não se deixar levar por propagandas promocionais e mídias sociais, facilmente manipuladas. Preços atrativos podem acabar saindo caro.”

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Michel Pires

Michel PiresÉ cirurgião rinologista especialista da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e membro da Academia Brasileira de Cirurgia Plástica da Face. CRM 42016 RQE 22790

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