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Planejamento familiar durante a pandemia

As principais dúvidas de quem quer ter um bebê

A pandemia de Covid-19, causada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), além de afetar significativamente hábitos e atividades cotidianos, tem mudado planos e sonhos. As incertezas a respeito dessa nova doença dificultam qualquer tipo de planejamento. Especificamente em relação ao planejamento de uma gravidez, dois questionamentos são frequentes:

O casal deve adiar o projeto de gravidez?

As gestantes aparentemente não representam grupo de risco para quadros graves de Covid-19. As manifestações clínicas são semelhantes às observadas em mulheres não grávidas, apesar da supressão do sistema imune que ocorre durante a gestação. Entretanto, mulheres com gravidez de alto risco devido a problemas de saúde podem apresentar quadros mais graves e merecem atenção especial. Estudos têm demonstrado maior incidência de aborto espontâneo e partos prematuros em gestantes infectadas pelo SarsCoV-2, assim como ocorre em outras infecções virais. Além disso, o risco de morte neonatal parece ser um pouco maior entre gestantes com Covid-19, havendo risco de transmissão para o recém-nascido, embora a transmissão vertical (intra-útero) ainda não tenha sido comprovada.

A decisão de engravidar durante a pandemia ocasionada pelo novo Coronavírus deve ser tomada com responsabilidade, desde que a mulher apresente boas condições de saúde. O adiamento da maternidade, no entanto, deve ser evitado quando a mulher tem mais de 35 anos ou apresenta baixa reserva folicular ovariana.

Os tratamentos de infertilidade devem ser adiados?

Durante um tratamento de infertilidade, é necessário realizar exames laboratoriais, coleta de sêmen, exames de ultrassonografia e, na fertilização in vitro (FIV), também uma punção folicular ovariana para coleta dos óvulos, expondo pacientes a maior risco de contágio. Dessa forma, seria prudente adiar o início do tratamento para quando houvesse maior controle da pandemia. Por outro lado, mulheres no final da vida reprodutiva ou com baixa reserva ovariana podem ser prejudicadas ao tomar essa decisão. Existe a opção de realizar uma fertilização in vitro (FIV) e congelar os embriões, possibilitando o adiamento da transferência e da obtenção da gravidez para quando a pandemia estiver mais controlada.

Dr. LEONARDO MEYER (CRM-MG 26.651)

Médico formado pela UFMG, com residência em ginecologia e obstetrícia no Hospital Mater Dei, especialista em ginecologia e obstetrícia TEGO pela FEBRASGO. Mestrado na área de reprodução humana pela USP – embriologista com especialização em técnicas de reprodução assistida, título de capacitação em reprodução assistida pela SBRA (Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida)

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