Matérias de Capa

SEM FRONTEIRAS

Fora da Rede Globo, a jornalista comemora o lançamento de seu site, com reportagens, dicas de viagens, saúde e gastronomia saudável

Foram mais de três décadas à frente dos principais programas da Rede Globo, entre eles, o Jornal Nacional e o Fantástico. Um ano após pedir demissão da emissora, Carla Vilhena começa a colher os frutos de sua nova jornada. O blog criado em 2016 para compartilhar suas experiências pessoais, com o suporte de postagens e stories no Facebook e no Instagram (@carlavilhenaa), cresceu e, em janeiro deste ano, virou o site carlavilhena.com.br. “É uma forma de mostrar o meu trabalho, em comunicação corporativa e com as reportagens que continuo fazendo, só que agora em outro formato”, explica. Com dicas de viagens e gastronomia saudável, a página também é um retrato fiel de seu estilo de vida, que envolve, entre um compromisso profissional e outro, cuidar da saúde e da família.

Casada com o advogado Carlos Monnerat desde 2011 e mãe dos gêmeos Clarissa e Pedro, de 17 anos, e de Marcelo, de 12 — de seu relacionamento com o jornalista Chico Pinheiro —, Carla, aos 51 anos, 1,70 metro e 66 quilos, mostra que envelhecer é apenas mais um capítulo na vida. E ela vive com sabedoria e entusiasmo. “Felizmente, eu me sinto muito bem, muito amada e num momento de vida gratificante, acho que essa é a palavra.”

O cuidado com o corpo é prioridade para você?

Faz parte das minhas prioridades. Mantenho o mesmo personal trainer, ininterruptamente, há quase dezoito anos. Comecei assim que tive os gêmeos, e acabei continuando, porque foi uma parceria muito proveitosa. Ele não me deixa faltar, não falta, não tira férias e não tem feriado. Ele não me deixa esmorecer na atividade física.

Qual sua rotina de exercícios?

Treino musculação duas vezes por semana e, normalmente, faço alguma atividade aeróbica, como bicicleta, uma vez por semana. De preferência, duas. Uma durante e outra no fim de semana, com meu marido e meus filhos.

E como faz para manter a mente sã?

Não pratico meditação nem ioga, eu adoraria, mas nunca consegui me organizar. Preservo minha mente com a leitura, que é o que mais me dá prazer. Todos os dias eu leio, e costumo ler clássicos. Minha mente viaja e eu relaxo.

Sua alimentação é regrada?

É muito normal, e o meu gosto me ajuda bastante. Adoro legumes, verduras, grãos, como pouca carne e faço todas as refeições nos horários certos. Tudo meu é muito regrado, mas no sentido de ter uma regularidade de horários, não necessariamente restrição com a comida. Acho que a gente tem que se basear no bom senso e comer um pouco de tudo.

Em que se baseia seu cardápio?

É comida caseira. Arroz, feijão, legumes, verduras e saladas. Gosto de comida de verdade, não troco uma refeição por um sanduíche. Aliás, o que eu não faço, de jeito nenhum, é isso. Só se realmente a outra opção for passar fome, porque eu não posso passar fome.
Fico desesperada.

Cozinhar é uma paixão?

A cozinha do dia a dia é muito dura, muito difícil. Não vou dizer que é fácil, todos os dias, obrigatoriamente, ter que inventar alguma coisa. Mas cozinhar por prazer é a melhor coisa do mundo. Cozinhar no fim de semana para o meu marido e meus filhos é uma delícia. Adoro transformar ingredientes básicos numa comida maravilhosa. É uma experiência muito prazerosa.

O que não pode faltar na sua cozinha?

Arroz e feijão. Feijão, principalmente. Eu brinco dizendo que só algumas
comidas não vão com feijão, tipo lasanha, mas o resto todo vai, até peixe.

Já teve que enfrentar algum problema de saúde?

Graças a Deus, não. Nunca tive nada. Sou bastante abençoada nesse sentido, pelo menos até hoje. E sou hipocondríaca, tenho um pouco de medo de doenças. Me cuido bastante e acho que estou conseguindo desfrutar as escolhas que fiz na juventude. Não beber, não fumar, principalmente, e fazer atividade física. A maioria das pessoas só conhece a Carla apresentadora.

Quem é a Carla Vilhena? Como é um dia comum em sua vida?

Quando criei o blog, a intenção foi mostrar um pouco disso. Eu não tinha redes sociais, Instagram, nada disso. Sou bastante verdadeira, fiel a quem realmente sou. Sempre fui muito apaixonada por saber a história das coisas, dos lugares a que vou, então o que eu mostro no Instagram é exatamente como sou. Um dia comum em minha vida envolve sempre algum tipo de descoberta. Normalmente, de manhã, faço atividade física e à tarde tenho compromissos profissionais, reuniões ou trabalho no meu site. Também pretendo escrever um livro, ainda estou compilando algumas histórias. E há muito envolvimento com minha família, também.

Qual é seu lugar preferido no mundo?

Conheci lugares maravilhosos, magníficos, mas nada se compara à possibilidade de estar nesses lugares com as pessoas que você ama. Não é um lugar físico, é quase espiritual, e eu carrego dentro de mim. A companhia das pessoas que amo, dos meus amigos e da minha família.

Tem algum hobby?

O conhecimento é o que me estimula, o que me move e o que busco retirar de tudo o que faço.

Você é vaidosa?

Sempre fui, gosto muito de me maquiar e de me vestir bem, mas também não sou muito obcecada com isso. Muitas vezes eu quero ficar mais confortável em vez de vestir uma roupa incrível. Com maquiagem, também. Como usei durante muitos anos seguidos, na Globo, assim que eu saí confesso que relaxei bastante, fiquei descansando a pele e o cabelo. O meu cabelo, inclusive, se beneficiou de eu não ter que fazer escova todos os dias. Ele ficou bem mais cheio e até mesmo cresceu, sem quebrar. Às vezes gosto de ficar bem ao natural.

Para você, as mulheres podem ser elegantes e bonitas sem recorrer a tantos artifícios. Além dos fios brancos em evidência, na sua vida onde mais isso se aplica?

Somos reféns de coisas que, quando eu era mais jovem, por exemplo, nem existiam. Aliás, quando eu era garota, praticamente não se fazia nem a unha. É engraçado isso, hoje as crianças já estão pintando a unha. Não sei, vejo um pouco de exagero, acho a beleza natural muito mais interessante. Mas, além dos fios brancos, uma coisa que muita gente repara é que eu não faço a sobrancelha. As minhas são mantidas ao natural. Quando era jovem, eu retirava um pouquinho no meio, para que elas não emendassem. Minha mãe sempre pediu que eu tomasse cuidado, porque, na época em que ela era garota, havia a moda da sobrancelha fininha, as artistas de cinema usavam assim, então ela tirou muito e ficou com a sobrancelha rala. Isso me assustou, e por isso nunca deixei ninguém mexer. Até hoje a minha é cheia, bem forte e bem marcada.

Já fez alguma cirurgia ou intervenção estética?

Fiz abdominoplastia, porque, quando tive gêmeos, houve um esgarçamento da musculatura abdominal. É normal em uma gravidez gemelar. Realmente ficou muito flácida, tive que costurar. Também fiz a retirada de bolsas sob os olhos, duas vezes. É de família, minhas olheiras são inchadas e isso dá uma aparência cansada, envelhecida. Não tenho nada contra, mas não gosto de exageros. Por exemplo, não tenho silicone nem nada que eu não ache necessário. Não tenho essa exigência.

Conte para a gente um truque de beleza.

Um truquezinho supereficaz é colocar um cantinho de cílios postiços bem na parte externa dos olhos, nas pálpebras superiores. Apenas um cantinho, um tufinho nas laterais. Levanta muito o olhar. Sem maquiagem nenhuma, o olhar fica mais marcante e interessante. É um truque que, de vez em quando, eu lanço mão.

Como você lida com o envelhecimento?

Não dou tanta importância à idade cronológica, não. Aliás, eu me sinto como se tivesse 30 ou 20. Mas não tenho mais aquela necessidade que eu tinha, aos 20, de sair toda noite, de estar embalada e conhecer gente. Hoje seleciono mais. É como quando se começa a entender de vinhos, por exemplo. Você não vai se embebedar, vai saborear, vai sentir o prazer de cada gole. Acho que estou nessa fase, sentindo o prazer de cada gole, e não tomando algo para me embriagar. No sentido puramente figurado, óbvio, porque eu não bebo, nem nunca bebi na vida.

Está de bem com o seu corpo atualmente?

Hoje tenho consciência de que o meu corpo não responde mais a uma ginástica ou a uma dieta como fazia antes. Mas estou muito feliz comigo. Não prefiro a Carla de trinta anos atrás.

Qual o maior aprendizado da idade?

Há um ganho muito grande em sensatez e eu acho que a gente conquista um bocado de paciência, de compreensão e de compaixão. A idade mostra o que realmente vale a pena, o que é importante e fundamental na vida. A gente também aprende que é preciso manter quem realmente importa do lado. E descobre prazeres bem mais simples e bem mais intensos em coisas que não demandam tanto dinheiro ou tanto investimento. Vou dar um exemplo: uma pessoa que busca o sucesso a qualquer custo e passa por cima de outras. Com a idade, percebemos que o caminho não é esse, e que a gente pode viver com menos e ser mais feliz.

Você chegou a ter alguma crise de meia-idade, por assim dizer?

Acho que não. Eu estou esperando a crise da saída dos filhos de casa. Essa eu realmente acho que vou sentir bastante, porque, neste momento, já estou sentindo por ter que deixar minha filha na Alemanha, onde ela vai estudar. Parece que estão me arrancando um pedaço. Mas a crise de meia-idade eu não tive. Estou colhendo o que plantei, então é um momento de desaceleração, de reflexão, de muita alegria e intensidade de sentimentos.

Que conselho você daria para as mulheres de 50?

Não concentrar todo o foco em apenas uma parte da vida. Se o foco for o marido, e ele não estiver mais com a mulher, ela vai desabar. Se forem os filhos ou o trabalho, a mesma coisa. É preciso buscar aquilo que alegra, que traz felicidade; uma forma de ajudar ou de contribuir para o bem-estar de outras pessoas. Enfim, tirar o foco do próprio umbigo é algo importante. Isso não vale só para as mulheres de 50, é para todas. Se em algum momento você sentir falta de alguma coisa na vida, você terá sempre onde se apoiar. Outras ambições, outros sonhos, outras esperanças e outros modos de atrair a felicidade.

O que mais lhe deu prazer no jornalismo?

O jornalismo, para mim, foi muito prazeroso. Foram anos e anos de um contato muito intenso com a vida das pessoas, Acho que dei o meu melhor, fiz o que foi possível para tentar, pelo menos, favorecer as pessoas mais necessitadas e trabalhar para o bem da nossa comunidade, da nossa sociedade.

E o que a entristeceu na profissão?

A mudança que houve de um jornalismo sério, ético, de um jornalismo que era baseado na apuração dos fatos, com muito rigor, para uma busca desenfreada de cliques. Como as pessoas precisam de cliques para subir na relevância dos seus veículos, elas lançam mão de títulos sensacionalistas, bizarrices e superficialidades. Isso me entristece bastante e até me desestimula a recomendar a profissão para os jovens, porque eu realmente acho que, se não houver algo que mude esse caminho, nós vamos submergir num mar de lama de fake news, infelizmente.

Tem muitos sonhos a realizar?

Muitos, sempre. Quem sonha mantém a alma jovem. O sonho é fundamental para que a gente tenha aspirações, estímulo e incentivo para continuar evoluindo.

Qual a maior lição que você quer ensinar aos seus filhos?

Que vivam intensamente, independentes e com plenitude. Quanto mais eu der os instrumentos, as ferramentas de que precisam para que tenham as rédeas da própria vida nas mãos, mais eu proporciono a eles um caminho para a felicidade, para a satisfação pessoal e para a satisfação que terão dentro do mundo, com outras pessoas e com o ambiente que os cerca.

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