Saúde

Sindrome de Burnout – A doença do momento

Caracterizada pelo esgotamento profissional, a síndrome de Burnout afeta 32% da população brasileira

Um sentimento de que não há rendimento, seguido de cansaço crônico e acompanhado de boca seca e suor frio. Esses foram os primeiros sintomas a acometer a professora Simone Medeiros de Carvalho. “As pessoas me falavam as coisas e eu não conseguia processar bem o que elas estavam falando”, conta. “Sentia que a sala de aula, a escola, aquilo tudo ia me engolir.” O diagnóstico revelou que o malestar era, na verdade, síndrome de burnout.

Apesar de ter sido descoberto na década de 70, só no ano passado o esgotamento profissional, definido como síndrome de burnout, foi incluído pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na Classificação Internacional de Doenças (CID). A nova versão entrará em vigor em 2022. Num ranking de oito países da International Stress Management Association (Isma-BR), o Brasil está à frente da China e dos Estados Unidos em incidência de casos. A estimativa é que 32% dos trabalhadores brasileiros sofram com sintomas relacionados à enfermidade. Pessoas engajadas, comprometidas com o trabalho, perfeccionistas e de maior identificação com sua função são mais propensas à síndrome. “Aquelas que lidam com pessoas, com cuidados em relação a um público, mais especificamente, profissionais das áreas de saúde, educação e segurança pública”, aponta o professor do Centro Universitário Una, Marcos Brescia.

A síndrome de burnout é crônica. Em termos práticos, isso significa que ela não se resolve com férias ou descanso. “O stress tem algo de positivo, que faz com que a gente altere situações de desconforto na vida. Se eu estou incomodada com alguma coisa, o stress me promove o sentimento de mudança. O burnout, não”, explica a psicóloga do trabalho e consultora de empresas Cyntia Paixão. “É um processo que vai diminuindo a capacidade de ação.” A imobilidade é caracterizada como exaustão emocional e sensação constante de que não se tem realização profissional. “A pessoa fica sem energia, com sentimento total de sobrecarga de trabalho, de vida”, reforça.

De acordo com o professor adjunto de gestão de pessoas e relações de trabalho na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais (FACE/UFMG) Alex Fernandes Magalhães, as relações de trabalho da atualidade se estruturam a partir de elementos simbólicos, tais como os discursos de sucesso e valorização social, enriquecimento, autonomia e empreendedorismo, entre outros. Ele explica que os sujeitos interiorizam esses roteiros sem que muitas vezes percebam os custos atrelados ao alcance de tais metas, que podem ser mutáveis, ilusórias e, em alguns contextos, até inatingíveis. Como consequência, surge algum mal-estar e tal sintoma não é facilmente percebido pelo trabalhador, tampouco enfrentado de imediato, dada a falta de consciência e reflexividade sobre si e seu contexto de trabalho. “Guiado pelos ideais de sucesso e enriquecimento, o sujeito alienado desconhece as razões para o mal-estar que pode ser gerado pelo trabalho e desloca-o para outros âmbitos de sua vida, como família e relações interpessoais”, avalia.

Diagnóstico e tratamento

A doença leva anos para se desenvolver e chegar ao seu ápice, por isso há uma dificuldade de diagnóstico. O tratamento é feito com psicoterapia. O medicamento apenas é ineficaz, uma vez que o que deve mudar é a forma como a pessoa encara o trabalho. Simone, por exemplo, se afastou por quinze dias do trabalho e voltou com outra consciência. “Com o burnout, o que acontece no trabalho você fica remoendo. Hoje, eu deixo o que aconteceu lá. Não levo para casa, para o barzinho, para a roda de amigos, nem para a família”, ensina.

Fique alerta para os sintomas

  • Sensação de tristeza e insatisfação
  • Autoestima baixa Cansaço crônico
  • Sensação de indiferença social
  • Despersonalização
  • Falta de afetividade no trabalho
  • Sensação de não pertencer à vida profissional
  • Imobilidade psíquica
  • Stress
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Revista Saúde e Estilo

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