MEDICINA

TRANSTORNO ALIMENTAR

Vivemos a era do culto à beleza, na qual somos bombardeados por imagens de silhuetas magras e saradas nas redes sociais e, mesmo sem perceber, acabamos, em algum momento, nos rendendo a esses padrões. Ou pior, sofrendo por não nos enquadrar neles. Fazemos dietas malucas e sem acompanhamento profissional, ficamos horas sem comer, praticamos atividades físicas em excesso e, quando não conseguimos o corpo desejado, ficamos frustrados. Parece bobagem, mas essa briga diária para se aceitar e ser aceito pode causar inúmeros prejuízos à nossa saúde física e mental. A relação conturbada com os alimentos pode trazer uma série de transtornos alimentares.

O problema é tão sério e atinge tanta gente que foi incluído no Manual de Diagnóstico e Estatística das Doenças Mentais (DSM) em 1994, assim como doenças como bulimia e anorexia. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP) atinge cerca de 2,6% da população mundial. No Brasil, 4,7% da população tem algum tipo de transtorno como anorexia, bulimia e compulsão, sendo mais comum entre os jovens de 14 a 18 anos.

Não é uma questão de escolha. Quem está passando pelo problema não consegue sair dele por conta própria. A exemplo de outras doenças psíquicas, é preciso tratamento especializado e individualizado, de acordo com a situação, gravidade e histórico, juntamente com um acompanhamento nutricional feito de maneira humana, empática e respeitosa.

Se você, em algum momento, estiver nessa briga com a comida, jogando-se compulsivamente em períodos de ansiedade ou se privando de maneira nada saudável para tentar se encaixar em um padrão imposto pela sociedade, não hesite em procurar ajuda. Sua mente e seu corpo agradecem.

 

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Jaqueline Bifano

Jaqueline BifanoÉ psiquiatra com residências em psiquiatria (HPJ/UFF), psiquiatra da infância e adolescência (HC/UFMG) e psicoterapeuta (Ipub/UFRJ) CRM-MG 50015 / RQE 39035

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