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Um novo olhar para a obesidade

Beleza nada tem a ver com o fato de ser ou não obeso

Quando buscamos a saúde do corpo, na maioria das vezes a beleza surge como consequência. É o caso do tratamento da obesidade, que permite, entre outros benefícios, a perda de peso, que, comumente, nos faz sentir melhor com a aparência. A medicina, nesse caso, vai diferenciar de forma responsável os conceitos de saúde e beleza, para então definir a melhor providência a ser tomada.

De acordo com o cirurgião geral, gastroenterologista e endoscopista Bruno Sander, a obesidade nada tem a ver com preconceito ou outras questões sociais. Ela está descrita no código internacional de doenças e é considerada um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. Só no Brasil, segundo o Ministério da Saúde, estima-se que quase 20% da população com mais de 18 anos sofra com a obesidade.

Primeiramente, é preciso entender que existem diversos fatores que contribuem para a obesidade, além do exagero alimentar. Condições psicológicas, o ambiente em que se vive, os hábitos adquiridos ao longo da vida, além da predisposição genética, são características que influenciam diretamente o ganho de peso. Ou seja, os tratamentos para a obesidade vão muito além de uma simples dieta. Os cuidados devem começar desde cedo, com uma alimentação balanceada, exercícios físicos e acompanhamento regular com especialista. Se o cenário é de sobrepeso, a atenção precisa ser redobrada. Mas o que fazer quando a obesidade passa a ser uma realidade?

Ainda não foi descoberta a cura, mas o que se sabe, até hoje, é que a doença pode ser controlada. “E, para isso, é fundamental que o paciente tenha uma vida saudável”, afirma Sander. O primeiro passo é tratar condições preexistentes ou relacionadas. “Problemas articulares, apneia do sono, hipertensão, diabetes, problemas relacionados ao colesterol e dislipidemias são só alguns exemplos de doenças que andam junto com a obesidade.”

A estética, para Sander, vem em segundo lugar. “A beleza não está relacionada com o fato de ser ou não ser obeso. Se o paciente se sente bem, com a autoestima em alta, mesmo estando acima do peso, então a beleza não é a justificativa para tratar a obesidade”, afirma. E nem deveria ser, do ponto de vista do médico. A saúde é o único motivo pelo qual o gastroenterologista recomenda uma intervenção, seja ela qual for. “A partir da avaliação correta, o especialista deve indicar a melhor abordagem, que pode variar entre uma dieta mais elaborada, exercícios ou tratamentos específicos realizados dentro ou fora do consultório médico.”

“É importante salientar que não existe tratamento que vai fazer o paciente permanecer magro a vida inteira — nem mesmo a cirurgia em que se reduz o tamanho do estômago”

Entre os principais procedimentos disponíveis hoje aprovados pela Anvisa estão o balão intragástrico e a gastroplastia endoscópica, ambos realizados por endoscopia, sem a necessidade de cortes ou internação. E ainda, para quem já fez a cirurgia bariátrica e voltou a ganhar peso, há a opção da aplicação de plasma de argônio, também realizada por endoscopia. Ao seguir as orientações corretamente, há pacientes que chegam a perder até 10 quilos no primeiro mês, melhorando a saúde e a autoestima. “É importante salientar que não existe tratamento que vai fazer o paciente permanecer magro a vida inteira — nem mesmo a cirurgia em que se reduz o tamanho do estômago.” Por isso é tão importante o acompanhamento médico.

“Dietas milagrosas também não funcionam.” Segundo Sander, cada pessoa tem um tipo de resposta individual a uma intervenção, o que significa que não é porque um tratamento ou dieta funcionou para um que vai funcionar para outro.

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Bruno Sander

Bruno SanderÉ cirurgião geral, endoscopista, gastroenterologista e diretor clínico do hospital Dia Sander Medical Center. CRM-MG: 41490 RQE cirurgia geral: 14270 RQE Endoscopia: 32354 RQE Gastroenterologia: 41292

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